Informação 4.0
- Frattini Consultores
- 31 de mai. de 2023
- 3 min de leitura
A Era da Informação é conceituada como o momento na linha de tempo da humanidade em que a popularização e democratização do uso do computador, da internet e das tecnologias, daí decorrentes, passam a contribuir significativamente para a melhora das relações humanas e do desenvolvimento dos negócios. À parte desse entendimento percebemos a dificuldade de parte dos profissionais, como gestores, empreendedores e sócios de operações, em racionalizar o volume de informações recebidas e disponíveis, gerando um hiato entre estas e o seu gerenciamento para a tomada de decisão.

Não há dúvidas que após três grandes Revoluções Industriais estamos vivenciando e experenciando uma 4ª Revolução Industrial. Basta observar a quantidade de soluções que já se apresentam no mercado e nos centros acadêmicos com os títulos de indústria 4.0, marketing 4.0, consumidor 4.0, varejo 4.0 etc. Inovações tecnológicas como a inteligência artificial, internet das coisas, computação em nuvem, realidade aumentada entre outras automatizam e customizam processos, quebrando fronteiras, otimizando tempo e facilitando o trabalho. Sentimo-nos empoderados com uma imensidão de dados e interações em rede, porém, em paralelo a isso, o que se constata no dia a dia de trabalho é um definhamento da capacidade cognitiva de grande parte dos profissionais no que diz respeito a prestar atenção, raciocinar e encontrar soluções para as questões com as quais se deparam diariamente em seus negócios.
Em 1987, o economista Robert Solow disse que a era do computador estava em toda parte, exceto nas estatísticas de produtividade. Naquela época Solow alertou para o declínio da produtividade após um expressivo crescimento de processos, produtos e serviços viabilizados pela onda de tecnologia – teoria que ficou conhecida como Paradoxo de Solow. Utilizando a ideia de Solow como ponto de apoio para traçar um paralelo entre o cenário de dependência tecnológica que enfrentamos atualmente e o desenvolvimento anêmico da capacidade intelectiva de parte dos nossos gestores, líderes e empresários de pensar “por si só”, fica suficientemente claro que o avanço tecnológico não pode ser fator de comodismo, preguiça ou inércia no processo de aprendizagem e desenvolvimento próprio. Um mundo mais competitivo e inovador cobra, nas mesmas proporções (se não mais), novas habilidades e competências. Como profissionais, precisamos estar cada vez mais atentos a esse novo cenário que nos exige agilidade, criatividade e multidisciplinaridade para resolver problemas de diversos tipos – uns mais complexos por natureza, outros complexados por nós mesmos. É tanta informação à disposição das equipes e gestores que algo inusitado acontece: quanto mais informação à disposição, menos “penso” aplicado. E como desdobramento da inabilidade de aprofundar certo raciocínio sobre as questões que se apresentam, testemunhamos tomadas de decisões por vezes muito nocivas aos negócios.
Para dizer o essencial, precisamos adaptar os negócios ao ritmo veloz com que a tecnologia se move, mas fundamentalmente é imprescindível que nossos profissionais retomem o mindset de aprendizagem constante, afiando o machado do processamento de novas informações, colocando mais esforço e dedicação nos atos de pensar, ler, aprender, lembrar, raciocinar e prestar atenção. A era digital nas empresas diz respeito a conectar para entregar valor estrategicamente e essa entrega passa necessariamente pelo entendimento de que precisamos preparar nossas musculaturas emocional e intelectual, o modelo mental e o caráter de forma a gerar mais probabilidade e melhores condições para possíveis conexões que gerem ações de impacto positivas para os negócios.
Lucas Peluffo - Consultor na Frattini Consultores




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