Indicadores: saiba o placar do jogo
- Frattini Consultores
- 27 de abr. de 2021
- 3 min de leitura

“Você não tem ideia do tempo precioso que perde quando está empurrando um projeto contra a burocracia, a falta de recursos, as dúvidas, o cansaço, os problemas diplomáticos, o desconhecimento técnico. Você sempre tende a ser positivo e acha que ´eu mereço, eu vou me esforçar, vai dar certo´. Não. Há situações em que você sabe que não pode desperdiçar tempo algum, não pode deixar para depois, senão vai morrer. Isso acontece em alto mar, onde ninguém tem o direito de dormir antes de resolver um problema. Se na hora de comandar um projeto tivéssemos essa certeza, seríamos muito mais competentes. Todos seríamos.”
A argumentação acima é de autoria de Amyr Klink, navegador e escritor brasileiro reconhecido por suas expedições marítimas. Escolhi esta passagem do livro Não Há Tempo a Perder com a intenção de traçar um paralelo entre navegação e gestão, e os efeitos de comandar uma empreitada não somente equipado com os instrumentos e equipe necessários, mas também com a clareza de quais parâmetros acompanhar para nortear a empreitada. Neste sentido, é comum se deparar com empresas cujas gestões estão acostumadas com o lema “fazer e acontecer”. Perceba que entre o “fazer” e o “acontecer” existe um hiato, uma lacuna onde o “acompanhar” precisa existir. Aqui é importante deixar claro que não estou a criticar o lema acima exposto, afinal como disse o general americano George Patton durante a 2ª Guerra Mundial: melhor feito do que perfeito. Naquele contexto, Patton defendia a ideia de que um bom plano executado rigorosamente agora é melhor que um plano perfeito executado na próxima semana. Há quem possa implicar com a afirmação do general George, mas prefiro entender o contexto da frase como “feito é melhor do que o não feito”. Para todos os efeitos, tenha em mente que esta não é uma apologia à irresponsabilidade de sair tomando decisões e fazendo coisas à reveria, mas sim um incentivo a mover-se para frente, sempre.
A missão de conduzir o seu negócio para o resultado desejado passa necessariamente pela capacidade de saber quais indicadores monitorar. Embora você tenha definido uma estratégia clara e eficaz, você não conseguirá extrair o máximo da sua equipe se seus membros não souberem se estão no caminho certo. Para engajar sua equipe, construa um placar grande, visível, continuamente atualizado, que seja envolvente para os colaboradores. As pessoas atuam de forma diferente quando elas mantêm um placar. E é acompanhando o placar que a sua equipe encontrará o engajamento necessário para mover a expedição adiante. Como escreveu Chris McChesney em As 4 Disciplinas da Execução:
“...jogar boliche com os olhos vendados pode ser engraçado no começo, mas se não puder ver os pinos tombarem, logo se tornará maçante, até mesmo se você gostar muito desse tipo de diversão”.
Em outras palavras, se a sua equipe não souber se está vencendo a partida, provavelmente estará perdendo. O placar deve ser simples, tão simples que a qualquer momento possa ser lido e facilmente interpretado - sua equipe deve ser capaz de identificar rapidamente se está vencendo ou perdendo. Uma boa abordagem é construir estes indicadores junto com àqueles que irão persegui-los e assim elevar o nível de engajamento dos envolvidos para um desempenho superior. Seja objetivo, defina o que é crucialmente importante acompanhar e logo perceberá que menos é mais – empresas com excesso de indicadores enxergam tão pouco quanto àquelas sem indicadores. Neste sentido, seja minimalista e poucas coisas deixarão de serem realizadas.
Alguns outros conceitos podem ser adicionados a este modelo de acompanhamento de forma que o torne mais hermético, tais como a separação e definição de indicadores operacionais e indicadores estratégicos. Norteadores operacionais devem ser acompanhados semanalmente enquanto os estratégicos, mensalmente. Reuniões semanais devem começar a fazer parte da rotina e a agenda destes encontros deve estar estruturada de forma a ser cumprida à risca: prestar contas, revisar o placar e planejar próximas ações.
A continuidade e o sucesso de qualquer expedição (empresa) passam pelo constante acompanhamento do negócio e negligenciar este fato é potencialmente tão desastroso quanto estar em alto mar com um vazamento no casco do seu barco e, ainda assim, optar por ir dormir ao invés de resolver o problema. Nestes momentos difíceis, contar com a orientação de uma consultoria estratégica pode significar a diferença entre navegar ou naufragar.
Lucas Peluffo - Consultor na Frattini Consultores




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